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da winzada777: A maior final de todos os tempos. É com esta propaganda que a imprensa argentina e a Conmebol estão vendendo a decisão da Copa Libertadores de 2018. Boca Juniors e River Plate entrarão em campo no próximo sábado vendendo mais que a disputa por um título internacional. O que torna o jogo tão especial é a rivalidade histórica entre os clubes que, muito antes de entrar nas quatro linhas, já estava presente nas arquibancadas.
– O clima na Argentina é que nada importa mais que Boca e River. Isso vale até para o presidente (Mauricio Macri). Mudaram reuniões pessoais, congressos, tudo porque sabem que o clássico gera o pais. Entre os jogadores, não há outro tema, eles sabem que podem mudar a historia para o bem ou para o mal. É o evento mais importante do futebol argentino desde o titulo mundial. Se puder fazer uma comparação, é como se a Argentina fosse campeã da Copa do Mundo em cima do Brasil. É o momento mais importante da história do futebol argentino – declarou Diego Macias, do Diário Olé.
O episódio mais recente tem a ver com o setor visitante de La Bombonera. Adiretoria do Boca Juniors não permitiu que a delegação do River Plate decorasse o vestiário do estádio, alegando que poderia ocasionar briga entre jogadores. Entretanto, o motivo principal foram as críticas dos torcedores xeneizes após o fato já ter acontecido no campeonato nacional. Na época, as respostas foram para manter “o vestiário sagrado” e “não levar as cores do adversário”.
Dias depois, a Conmebol definiu que os jogos das finais da Libertadores deveriam ter torcida única, apesar do apelo do presidente do país, Mauricio Macri. Os mandatários de Boca e River preferiram que a ideia fosse mantida, gerando reações. O setor visitante do Monumental de Nunez apareceu pichado com a frase “sua gente não quis visitantes. Boca, sim. River c****”, apesar do veto de ambos.
Outra pitada de rivalidade que está agitando as torcidas para a decisão no gás de pimenta. Em 2015, nas oitavas de final da Libertadores, o Boca Juniors foi punido e eliminado da competiçãoapós torcedores jogarem o produto nos jogadores do River Plate durante o intervalo. Os Millonarios acabariam campeões aquele ano e criariam a música “Tiraste Gas”, que fala exatamente sobre esse episódio. Quatro anos depois, é a chance de uma nova resposta por parte dos xeneizes.
“Te sacamos de la copa, te sacamos otra vez
che bostero hijo de p*** te volvimos a coger
lloraste por las patadas
lloraste como un cagon
llora ahora que la copa la ves por televisión
tiraste gas, abandonaste
lo suspendiste porque no tenes aguante”
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da casino: Política em jogo: ricos contra pobres e direita contra esquerda
Poucos sabem, mas o River Plate nasceu no mesmo bairro o Boca Juniors. La Boca é um bairro da cidade de Buenos Aires onde está localizada o La Bombonera atualmente, mas que cresceu vendo as equipes nascerem brigando para ser o maior representante do subúrbio argentino. Porém, o bairro viu os Millonarios mudarem de casa e migrarem para Belgrano, uma cidade de classe média alta, na década de 1920. Esse foi o ponto inicial da rivalidade histórica entre as equipes.
Os clubes viraram o oposto do outro nos anos que viriam a seguir. O Boca Juniors, permanecendo no bairro humilde e operário de La Boca, ganhou contornos de “povão”, representando as favelas do país e as camadas mais pobres da sociedade. O River Plate, por outro lado, se mudou para um bairro nobre e foi adotado pela alta sociedade portenha, explodiu financeiramente da década de 1930 – por isso o apelido de Millonarios – e passou a representar os ricos. Virou um duelo de “povo contra elite”.
Aos que dizem que futebol não se mistura com política, Boca e River tiveram participações em um dos momentos mais difíceis da história da Argentina. Em 1976, ogeneral Jorge Videla, o almirante Emílio Massera e o brigadeiro Orlando Agosti formaram a junta militar que governou o país após o golpe de Estado que derrubou a presidente Isabelita Perón. A ditadura tomou conta do país por quase 20 anos, deixando mais de 10 mil pessoas desaparecidas no regime que durou até 1981.
Os três militares eram torcedores assumidos e sócios-honorários do River, fazendo com que a imagem da ditadura respingasse no clube – que nunca se manifestou diretamente como apoiador. Com isso, os Millonarios passaram a representar a parcela “à direita” politicamente da sociedade, enquanto a parcela “à esquerda” politicamente era tratada como resistência e se vinculava ao Boca Juniors e outros clubes populares do país. Naquela época, os clássicos viraram uma guerra política.
Em 2003, aComissão Diretora do River Plate cancelou os títulos de sócio-honorário concedidos aos três militares. Pelo estatuto do clube, nenhuma pessoa que tenha pendências judiciais ou que já tenha sido julgada pode ser sócia. Os três foram julgados e presos em 1985, quando o regime militar havia sido substituído por um governo civil. Nas arquibancadas, uma música criada pelo San Lorenzo foi adaptada pelo Boca Juniors, ligando o River Plate a ditadura militar.
“Somos tan diferentes,
vos sos platea y nosotros popular.
Hasta en la gente podes notar,
que no es la misma la manera de pensar,
esta hinchada hizo la cancha y jamás olvidará,
que la tuya te la hizo el gobierno militar”
Tragédias e rebaixamento: quando a rivalidade saiu do futebol
A história de Boca Juniors e River Plate também é marcada por momentos que não são bons de lembrar. A tragédia da “Puerta 12” é considerado o pior acidente da história do futebol argentino.Em 1968, o superclássico foi disputado no Monumental de Nuñez e terminou sem gols. Após a partida, os torcedores do Boca ficaram presos no Portão 12, pressionaram a saída e provocaram uma avalanche no estádio. Cerca de 71 pessoas morreram e 113 ficaram feridas.Nunca se soube porque os portões estavam fechados, se a polícia reprimiu ou se foi outro fator.
Outra tragédia, mas sem feridos, aconteceu neste ano na Argentina. Segundo apolícia da cidade dos Apóstolos, um torcedor colocou fogo na casa de outro devido a uma discussão entre Boca e River. Arturo, de 29 anos, revelou para a polícia que se irritou após bater boca sobre o clássico com o ex-cunhado e colocou fogo propositalmente na casa dele. A vítima perdeu todos os pertences.
– Estamos vivendo um momento histórico no nosso país. São duas equipes muito grandes que estão decidindo a Libertadores. Estamos vivendo com muitos nervos, muita paixão. É um espetáculo para a Argentina. Estamos muitos nervosos, vai ser importante para todos. Os clássicos contam muitas historias, é sempre decisivo, sempre importante – declarou o ex-jogador do Boca Juniors, Julio Gaona.
Entretanto, a maior causa de brigas entre torcedores é o rebaixamento do River Plate no Campeonato Argentino. Aconteceu em 2011, no aniversário de 15 anos do título da Libertadores de 1996, o clube não conseguiu vencer o Belgrano por dois gols de diferença em casa e caiu de divisão. Com isso, o Boca Juniors se manteve como um dos clubes que “nunca foram rebaixados” – ao lado do Defensa y Justicia.
Todas as formas possíveis de provocação com o fato foram utilizadas, mas no clássico pela Libertadores de 2015, a torcida do Boca Juniors levouum drone para sobrevoar o campo de jogo contra o River Plate, exibindo um fantasma da Série B. A música “River decime que se siente” também viralizou nas arquibancadas e passou a ser cantada nos clássicos.
“River decime que se siente
Haber jugado el nacional
Te juro que aunque pasen los años
Nunca nos vamos a olvidar
Que te fuiste a la B
Quemaste el monumental
Esa mancha no se borra nunca mas
Che gallina sos cagon
Le pegaste a un jugador
Que cobardes los borrachos del tablon”
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